Olha a menina sentada à janela.
Parece contemplar a paisagem, mas sua cabeça dá voltas e voltas.
Nem repara que não está sozinha e que é observada com curiosidade.
Apenas olha para fora como se nada mais importasse. E talvez naquele momento realmente não importe.
Se não estivesse cercada de pessoas, quem sabe a lágrima dançarina poderia escorrer pelo rosto. Mas não ali. Ainda tem um pouco de orgulho pra se deixar ver chorando.
Apesar dos olhos estarem úmidos, não há tristeza na menina. Claro que a vida não é perfeita, a de ninguém é. Mas não está se sentindo triste. Não no momento.
Porque então que sente vontade de chorar?
Nem ela mesma entende às vezes. Gostaria de compreender. Se sente frustrada por não conseguir fazer as pessoas entenderem algumas de suas atitudes. Entender realmente, não achar bonitinho e conveniente.
Relembra de algumas pessoas que dizem para ela nao agir de determinada forma....mas como se fala pra alguém não fazer algo que faz parte da natureza dela?
Relembra de quando não agiu da tal forma e foi censurada por quase todos por ter mudado de atitude. Como então mudar de comportamento, se as pessoas não aceitam?
Complicado...e a paisagem da janela muda. Quem está ao lado dela continua olhando com a mesma curiosidade inicial. Parece querer puxar assunto, mas ela está como se hipnotizada.
Aparentemente apenas. Ela sabe o que se passa ao redor, apenas não quer perder o foco dos pensamentos.
Parece procurar respostas do outro lado do vidro. Mas elas não estão lá. E nem estarão. A verdade, é que não há respostas.
A angústia aumenta. Não tem com quem conversar sobre o assunto. Talvez a única pessoa que pudesse compreendê-la não pode respondê-la. Não se sabe de casos de reflexo no espelho terem vida própria.
Algumas músicas vem a sua cabeça. Um esboço de um sorriso passa sobre seus lábios. Mas ainda assim não consegue deixar de pensar. O que ela gostaria é que não apenas compreendessem, mas que seguissem sua linha de raciocínio. E ela chega a mesma conclusão banal de sempre. Lidar com seres humanos é complicado...
Suspiro.
Aproveitando a deixa ela ouve uma pergunta lá longe. Ok, chega de devaneios, pensa, hora de voltar a realidade. Com o mesmo jeito sorridente de sempre ela responde a pergunta de quem estava ao seu lado. Nem receptiva nem antipática, mas sente que tolhe a vontade de dialogar do questionador por um instante.
Resolve voltar a janela. Tenta se lembrar de porque começou a pensar em tudo aquilo se nada foi provocado para isso. Lembra-se das aulas de anos atrás. Os pensamentos são mais rápidos que as palavras. Os dela devem viajar na velocidade da luz, conclui.
Olha o relógio, nem atrasada nem adiantada. A tarde segue mormacenta e quente.
O perguntador, vendo que nada mais ganharia ali, desce no seu destino.
Destino...palavra que mais ocupa a mente da menina sentada à janela. A paisagem agora é mais familiar do que a do restante do trajeto. Sente-se quase em casa. Hora de voltar a realidade.
E ao descer do ônibus, deixa na janela toda a viagem pensante. Quem sabe seus questionamentos encontrem o seu destino.
10 de ago. de 2007
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Um comentário:
Ah, eu já disse que adoro os seus textos, né?
Então nenhum comentário s mais...
Só pensa no que eu te falei pelo msn ;)
Bjus!
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