Eu que pouco gosto de observar as pessoas, quase não me divirto neles...ironias a parte ontem foi dia de receber pessoa querida que veio de longe.
E também tive a chance de observar comportamentos e atitudes das pessoas que lá estavam. Primeiro voltarei no tempo, para um ano atrás, um pouco mais na verdade, quando estava esperando alguém que na época não fazia noção da dimensão que teria na minha vida.
Naquelas quase duas horas de espera o que vi de gente chegando e partindo não foi brincadeira não. A grande maioria eram adolescentes brasileiros vindos da Disney, me lembro da galera saindo pelo saguão de desembarque devidamente equipada de orelhinhas, Plutos, Donalds e Patetas, jaquetas Hard Rock Café e todos aqueles souvenires clichês clássicos de quem vai para a terra do Mickey Mouse. Algumas avós com seus netinhos devidamente fantasiados também faziam parte da comitiva que chegava.
Engraçado que eu me lembrasse desses fatos, até porque quem eu estava esperando naquele dia não chegou e não pude nem estar presente quando finalmente tocou solo brasileiro. Destino.
Mas ontem enquanto esperávamos pacientemente a alfândega liberar o amigo querido vindo de terras nipônicas pude ver que naquele vôo da TAP iam bem mais que os adolescentes da Disney do ano anterior.
Tinha o casal, que pela calorosa recepção não se via há muito tempo ou nunca havia se visto pessoalmente, os velhinhos que foram encontrar os netos, muuuuuuitos italianos de meia-idade e jovens mulheres também.
Além disso, era grande o número de pessoas segurando plaquinhas com nomes de pessoas que nunca viram na vida, esperando pacientemente por alguém com quem não tinham nenhuma identificação.
Uma das coisas que passaram na minha cabeça foi aquele filme com Tom Hanks, O Terminal. Não sei porque, fiquei pensando na vida de quem vive de aeroporto em aeroporto...enfim...divagações que ocorrem nas minhas idas ao aeroporto.
Ao vê-lo atravessar o portão de desembaque me veio na cabeça uma música. Termino com ela que traduz bem a infinidade de sentimentos que vi por lá e que senti também.
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
(Milton Nascimento - Encontros e despedidas)

Um comentário:
Ah, realmente... que gosta de ver pessoas, é muito bom aeroporto.
Tirando os atuais acontecimentos, claro!
E seus textos me agradam bastante, se quer saber :p
Bjus!
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